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Marupari

Marupari: que planta é essa, para que a tradição usa e quem não deve tomar

Por Fabiano Carvalho
Atualizado em 29 de julho de 2026 · 3 min de leitura

Marupari

Alguém do Norte fala em “chá de marupari” para desarranjo de barriga, você procura o nome no Google e não acha quase nada sobre planta nenhuma. Não é você que está procurando errado — é o nome que muda de boca em boca.

O que se sabe sobre esta planta

Marupari é um dos nomes populares da Eleutherine plicata (também registrada como Eleutherine bulbosa), uma erva de bulbo da família das íris, comum na Amazônia. A mesma planta é chamada de marupazinho, marupaí e coquinho — e é por “marupazinho” que existe material publicado sobre ela. Se você quiser procurar mais, procure por esse nome.

Não confunda com o marupá (Simarouba amara), que é árvore, não erva de bulbo — nomes parecidos, plantas diferentes.

O que a tradição amazônica faz com ela é bem delimitado: chá do bulbo para diarreia, disenteria, amebíase e hemorroida. O preparo registrado é simples — dois bulbos picados fervidos em meio litro de água por cerca de 15 minutos, coado.

O que existe de estudo. O bulbo tem naftoquinonas — eleuterina, isoeleuterina e eleuterol são as mais estudadas —, e há trabalhos de laboratório mostrando atividade dessas frações contra a ameba Entamoeba histolytica e contra bactérias e fungos comuns. É pesquisa de bancada, feita em cultura, não em gente.

O que não existe. Ensaio clínico em pessoas. Não há estudo que mostre que o chá caseiro funcione no corpo humano na dose que se toma em casa. O uso tradicional é antigo e específico; a prova clínica ainda não veio.

Quem não deve tomar

Esta é a seção mais importante da página, e a que a maioria dos sites esconde no rodapé.

Grávidas e lactantes. A literatura de fitoterapia contraindica a planta nos dois períodos, e não há dados de segurança que sustentem o contrário.

Ninguém, por tempo prolongado. A orientação registrada é não passar de cerca de 15 dias de uso contínuo, por risco de toxicidade — as naftoquinonas que dão a atividade da planta são as mesmas que pesam no fígado quando o uso vira rotina.

E o sinal para parar o chá e procurar atendimento: diarreia com sangue, febre, ou que passa de dois ou três dias — em criança pequena e em idoso, antes disso. Desidratação é o risco real de quem trata diarreia só com chá, e ela não avisa.

Está na RENISUS?

Sim. A Eleutherine plicata é uma das 71 espécies da RENISUS, a lista do Ministério da Saúde de plantas medicinais de interesse ao SUS. Mas estar na RENISUS não é atestado de eficácia comprovada nem de segurança irrestrita: é a declaração de que a planta tem uso relevante o bastante no país para merecer pesquisa. Credencial de interesse público, não de resultado clínico.

Resumindo

Marupari é o marupazinho — planta amazônica de uso tradicional estreito e bem documentado para problema de intestino, com pesquisa de laboratório por trás e nenhum ensaio em pessoas. Se você está grávida, amamentando, ou pensando em tomar por semanas seguidas, essa é a hora de conversar com quem cuida de você antes. Nada aqui substitui orientação médica, e diarreia que não passa não é caso de chá.

Perguntas frequentes

Marupari e marupazinho são a mesma planta?

Sim. Marupari, marupazinho, marupaí e coquinho são nomes populares da mesma espécie, a Eleutherine plicata (também chamada de Eleutherine bulbosa), uma erva de bulbo da família das íris. O nome "marupazinho" é o mais usado na literatura, e é por ele que se acha material sobre a planta.

Marupari serve para quê?

A tradição amazônica usa o chá do bulbo para diarreia, disenteria, amebíase e hemorroida. Existe pesquisa de laboratório que dá alguma base a esse uso, mas não há ensaio clínico em pessoas.

Grávida pode tomar chá de marupari?

Não. A literatura de fitoterapia contraindica a planta na gravidez e na amamentação, e não existem dados de segurança que sustentem o uso nesses períodos.

Este conteúdo é informativo e fala sobre alívio e conforto, não sobre cura. Cada caso é único — se a dor persistir ou piorar, procure um profissional de saúde.